Palavras de Alento

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10 de abr. de 2015

A vida urge

Como dizemos na Bahia: saudade retada de blogar! 
Vivo criando textos na cabeça, mas eles nunca vão pro papel ou pra tela do computador. Penso no blog, nos textos de vocês, em como estão vocês, mas a vida me chama. Quando olho pra trás fico abismada: como eu tinha tempo!!! Atualizava o blog e visitava os amigos frequentemente e agora, mal consigo lavar os cabelos.
Amora dorme agora, está com bronquite. Bento na casa do pai e eu, que deveria estar no trabalho, velo o sono da pequena com o notebook no colo. Vim matar as saudades! A vida de uma mãe de filhos pequenos é só dedicação. Sobra muito pouco pro marido, pros amigos e pro resto da família. Pro blog? Nada. Sorry!
E no meio dessa loucura toda, as pequenas felicidades do cotidiano: o sorriso dela, o desenvolvimento fantástico, onde cada dia surge algo novo, o amor dos irmãos crescendo (essa parte me emociona tanto...), a família se fortalecendo e crescendo. 
Sim, CRESCENDO MESMO! Estou grávida novamente. Nada programado, fomos tomados de assalto com a notícia (que eu levei meses pra assimilar) , mas vamos ajustando as coisas.
Vocês que acompanham minha trajetória aqui sabem que perdi um bebê em 2011 e outro em 2012, né? Pois então, Papai do Céu me devolveu meus pequenos, não posso reclamar. A vida urge! 
Só bênçãos! 
Ainda não escolhemos o nome do rapazinho (sim, é um menino!) mas assim que definirmos algo, tento postar. #Oremos. 
Papai é só alegria com seu casal de filhos. E mamãe se preparando pra recomeçar a jornada.
Torçam por nós!

Um beijão!

11 de fev. de 2014

Vivendo o sonho

Em meados de outubro eu tive um sonho que marcante. Nele, eu aparecia sentada e carregava uma menina no colo, como se estivesse amamentando, mas seu rosto não parecia o de um bebê, e sim de uma menina com uns 8 anos, talvez. Tinha os olhos muito vivos, penetrantes e não os tirava de mim. Era morena, de cabelos cacheados.
Como eu sou muito interessada pelos mistérios que rondam nossas viagens noturnas, acordei intrigada com aquele rosto, com aqueles olhos que me fitavam insistentemente. "Minha filha" - pensei. 
Alguma coisa me dizia que, após seis meses tentando engravidar, eu finalmente podia sentir esse filho chegando. A sensação era de já estar com ele nos braços. Sorri pra mim mesma com aquela certeza no coração.
Não deu outra: engravidei na segunda quinzena de outubro! 
Mas quem disse que podíamos comemorar? Eu e Preto passamos por duas perdas muito dolorosas (em 2011 e 2012)  e depois disso preferimos nos resguardar, mantendo sigilo total. Minha médica pediu pra que eu parasse de malhar, diminuísse o ritmo e que esperasse passar os três primeiros meses pra ver se o bebê iria "vingar".
Foram dias de muita tensão. Eu estava à flor da pele. Primeiro porque grávidas ficam mesmo mais sensíveis, segundo porque o medo de perder o terceiro bebê me atormentava. Mas Deus, em sua infinita misericórdia permitiu que eu atravessasse o primeiro trimestre da gravidez sem nenhum problema. E finalmente em janeiro nossos amigos e familiares receberam a boa notícia.
Estamos todos muito felizes, já se passaram 17 semanas, já fiz três ultrassonografias e tudo corre dentro da normalidade. Graças a Deus!

Ah, ia me esquecendo: É uma menina!

9 de dez. de 2013

Um ano antes...

Hoje faz um ano que nos casamos. 
Relatei nesse post a experiência. Numa tarde de domingo, reunimos familiares e amigos mais próximos para celebrar o Amor. Sob a bênção dos quatro elementos da natureza, dissemos sim um ao outro, emocionando os presentes com a energia forte que emanou de nós.
Sou grata a todos que testemunharam aquele dia. A todos que  me incentivaram a encarar novamente um relacionamento sério, uma vida a dois. No nosso caso, a três. rsrsrs.
Agradeço à essa família que Deus colocou no meu caminho, que acolheu a mim e ao meu filho como se fôssemos do mesmo sangue. Com eles me sinto filha, me sinto irmã. E agradeço acima de tudo, a Luiz Paulo, meu Preto, por não ter desistido de mim, por não duvidar que eu poderia ser de novo uma boa esposa, uma companheira fiel; que eu poderia gostar de estar presa a um casamento, e que eu desejaria de novo ser mãe. Coisas que nem mesmo eu acreditava que pudessem me trazer felicidade.  

Agradeço muito a Deus por ter me permitido acreditar.

Deixo com vocês algumas imagens desse dia que vamos celebrar sempre.

Bento recebeu os convidados vestido de mestre cuca.
Antes da cerimônia, deliciamos nossos convidados com um buffet de comida baiana.
 Cocada baiana de sobremesa
Ritual dos 4 elementos: água, para purificar e neutralizar aborrecimentos passados.
Ar: Abrindo caminhos para a realização dos sonhos.
Fogo: Para manter acesa a chama da paixão 
Terra: enterrando frustrações que não desejamos levar para o casamento.
Trocamos alianças e juramos nos amar e nos respeitar.
E no final, bolo!



26 de mai. de 2013

Dos medos

Sempre fui uma pessoa medrosa. Embora muita gente me ache corajosa, em verdade, a maioria das vezes que tive atos de bravura, foi por pura falta de opção. Também não acho que o contrário de corajoso seja medroso. Ser medroso é ser cauteloso. Pra mim o contrário de corajoso é covarde. E isso eu nunca fui. 
Enfrentei muitos medos nessa vida, mas ainda tenho uma porção deles. Sobre o maior deles eu nem me atrevo a falar, que é pra não atrair. Mas no fundo eu sei que alguns desses medos me rondam, estão sempre espreitando, chegando perto, me testando. E eu aqui, respondendo a tudo com aquela falsa bravura, de quem não tem outra escolha, senão fechar os olhos e se atirar no abismo.
Estamos aqui vivendo dias difíceis. Coisas pelas quais toda família passa, ou vai passar um dia. Quando um idoso adoece, já se começa a pensar no pior. E quando já se passou por algo pior, parece que é ainda pior!
Ver meu irmão morrer tão jovem, há dois anos, parece que me secou um pouco por dentro, ou me deixou mais medrosa. O sofrimento que minha família passou é algo que não queria ver nunca mais. Mas sei que isso é impossível. Aos poucos, morreremos todos. 
E pra ser sincera, nem acho que a morte seja o pior de tudo. Pelo menos não pra quem morre. Mas pra quem fica é terrível! E o meu medo no momento é esse: a reação de quem fica, porque muitos acabam morrendo um pouco também.


12 de ago. de 2012

Falemos então sobre o Dia dos Pais

Evitei-o durante os anos anteriores. Não tenho uma relação normal com meu pai e por isso eu costumo "pular" essa data. Habituei-me a não comemorar o Dia dos Pais. Mas já sem problemas, tudo bem resolvido. Não dá pra ficar arrastando corrente a vida toda, né?
Içami Tiba fala em seu livro Quem Ama Educa, que alguns homens só se sentem pai enquanto mantêm relacionamento com a mãe. Isso é grave, é triste e é muito comum! Eu tinha 12 anos quando meus pais se separaram e foi assim que aconteceu.
Quando meu casamento acabou, Bento estava com 6 meses e eu temia que acontecesse o mesmo com ele, tive medo de que ele não convivesse com seu pai, que não houvesse vínculo entre eles. 
Mas o tempo me mostrou o contrário. Tive uma grata surpresa com o fortalecimento do amor dos dois. E fico feliz em ver como a vinda de um filho modificou a vida de um homem que nunca quis ser pai. Apesar de termos nossas diferenças, admiro-o muito por isso. É uma relação bonita, construída dia a dia, coisa linda de se ver. Até me emociono. Se há hoje, um exemplo vivo e próximo, de um bom pai, é ele. Meu filho teve sorte. Aliás ambos tiveram sorte, Bento é um filho maravilhoso.
Quanto ao meu pai, uma pessoa que foi se distanciando, que fez tanta falta, mas que hoje já não faz diferença, deixo essa música, que traduz um pouco a nossa relação.
Mas sem melancolia. 
Desejo que vocês tenham um dia dos pais feliz, aliás, a vida toda feliz, com os pais de vocês!

30 de mai. de 2012

Eu na Revista!

Em 2003, meu primo mais velho (que nem é jornalista), ficou sócio de uma revista que divulgava o comércio no interior do estado da Bahia. Cheio de ideias na cabeça, e nenhum tostão no bolso, ele travava verdadeiras batalhas pra produzir e distribuir a revista, que, na época, não tinha periodicidade definida, nem trazia artigos, apenas anúncios.
Foi então que, juntamente com o irmão caçula dele e meu saudoso irmão, decidimos ajudá-lo, cada um contribuindo com um pouco de seu conhecimento e sem ganhar um centavo por isso. Eu, recém formada em Pedagogia (e desempregada), passei a escrever matérias sobre educação. Meu irmão fazia a diagramação, e meu primo sociólogo escrevia o editorial, além de matérias sobre política e dicas de cinema.  
Com o tempo, outros profissionais foram agregados e com muito trabalho da equipe, a coisa deslanchou.
Hoje, quase 10 anos depois, a revista cresceu, ficou mais bonita, mais profissional e os anúncios publicados são de altíssimo nível!!! Meu primo não ficou rico continua sua batalha para não deixar a peteca cair, mas com certeza está muito feliz com o sucesso da sua empreitada.
Faz tempo que queria divulgar aqui as matérias que escrevo para a Revista Nova Imagem e agora essa possibilidade se tornou real, porque a revista está disponível on line, toda lindinha, dá pra visualizar bem cada página. Além disso, gosto de histórias de sucesso, de pessoas que batalham, que colaboram entre si e que fazem algo por amor a uma causa. E a história da revista resume um pouco isso tudo.
  
Confiram a página 14. :)

13 de mai. de 2012

A Minha Guerreira

Todos os anos, no dia das mães, eu venho aqui escrever sobre a delícia que é ter como filho aquela criaturinha linda que Deus mandou pra eu cuidar. Mas dessa vez eu não pretendo escrever sobre a alegria e a beleza de ser mãe, mas sobre a felicidade e a riqueza de ter mãe!
Essa é minha mãe, Lêda.
Eu levei um tempo reclamando de minha mãe. Queria que ela fosse uma mãe diferente, convencional, mais velha, mais senhora. Hoje vejo que muito do que me tornei, devo a ela. Seja pelos bons exemplos, pelas coisas que jamais teria feito ou pelos caminhos que o destino inexoravelmente nos levou a percorrer.
Fico tentando decifrar os mistérios da vida, os motivos que nos fizeram nos cruzar nessa existência. Tenho aprendido tanto com ela nessa experiência... 
Minha mãe era o tipo de pessoa que nunca estava muito presente. Depois da perda de meu irmão isso mudou. Agora quando precisamos dela, ela está de corpo e alma na situação.
Vendo, vivendo e convivendo eu aprendi muito com minha mãe. 
Aprendi a ser uma mulher de fibra. A ser mãe. A amar meus irmãos, a valorizar a família. Aprendi sobretudo o quanto é importante estarmos juntos. 
Aprendi a passar por cima e também a não deixar passar nada.
Aprendi a reconhecer quando me derrotam e a nunca deixar-me paralisar.
O maior aprendizado foi com relação à força interior e a superação.
Aprendi com minha mãe a buscar alguma coisa sei lá de onde e continuar firme, mesmo nos piores momentos. E foi no pior momento de nossas vidas que eu percebi que deveria ser mais forte do que ela. Eu a vi destruída e não podia fazer nada, a não ser estar ali, tentando passar um pouco de conforto.
Ela sempre quis que fôssemos independentes e com isso muitas vezes nos deixou escolher os próprios caminhos. Nunca interferiu, nunca impôs nada, tivemos liberdade e nos tornamos sim independentes.
Mas do amor e da companhia de sua mãe, quem quer se libertar?

Mainha, você foi o instrumento que Deus usou para que eu convivesse com um dos seres humanos que mais amei nessa vida. Receba o meu abraço e o meu muito obrigada por tudo.

♥ Te amo sempre ♥

6 de abr. de 2012

Páscoa em Nazaré

Blogueando por aí, li inúmeros posts falando sobre a Semana Santa e a importância de pensarmos no Cristo salvador ao invés de disseminar a farra dos ovos de chocolate trazidos pelo coelhinho da Páscoa. Concordo plenamente. Mas essa consciência eu tenho hoje, que sou adulta e pude, por mim mesma, buscar conhecimento sobre religiosidade. Por questões familiares, não tive formação religiosa, mas tive tanta curiosidade a respeito que "passeei" por igrejas, centros e terreiros. De tudo que vi, aprendi a ser tolerante e amar a Deus sobre todas as coisas. Ele é o princípio, o meio e o fim.
Mas o motivo desse post é pra falar da Semana Santa na minha cidade natal, Nazaré das Farinhas. Onde todos os anos, comemoramos nessa data a Feira de Caxixis, uma tradição secular, que além de apresentar peças feitas artesanalmente em cerâmica, traz de volta os filhos desgarrados e visitantes ilustres e anônimos. Desde criança a gente aguarda a chegada da festa numa ansiedade enorme. Era a época em que a cidade estava em festa e a gente ia pra rua com uma cestinha comprar os caxixis que quebraríamos dias depois, brincando. Agora esse se tornou o momento de rever os amigos, os parentes distantes e até os desafetos. Todos aportam na city nesses dias.
Eu na Feira de Caxixis 2010
E esse ano há um motivo a mais para comemorar: Hoje minha mãe - a guerreira - faz 60 anos. Estamos em festa e infelizmente não vai dar pra se recolher na sexta feira da Paixão como manda a tradição cristã, pois é dia de comer aquelas delícias preparadas com azeite de dendê que mainha faz como ninguém. Mas prometo não rezar pra "nossa senhora da birita" (viu Apon...) e tirar um momento do dia pra voltar o pensamento para o Criador. 
Deixo um beijo a todos e os votos de um feriado de paz e união familiar. Ah, e quando puderem, visitem a terrinha nessa época do ano.

2 de mar. de 2012

Carta Para o Céu

Amor,


Hoje faz um ano que você partiu e desde então as mensagens que recebemos através dos sonhos foram muito vagas. Ainda assim nossos corações estão reconfortados pela crença de que o Pai não te abandonou.
Foi um ano difícil. Sua ausência e a lembrança do seu sofrimento nos últimos meses nos machucaram muito. Mas sobrevivemos. Eu e mainha temos ido ao Centro e o apoio que recebemos lá nos fortaleceu para aceitarmos a sua partida. 
Nossa irmã se esforça pra sofrer menos. Cada um tem uma forma de reagir, e talvez por falta de esclarecimento, a reação dela tenha sido a pior de todas nós. Amarela já se ajeitou. Mudou-se do apartamento de vocês e agora mora sozinha. Sempre que estamos juntas você é o assunto principal. Temos um carinho e uma gratidão enorme por ela, por isso desejamos que ela seja muito feliz, que reconstrua sua vida e encontre alguém para amá-la. 
Órfãos de ti.
Seus sobrinhos estão crescendo rápido e enchendo nossas vidas de alegria. Bento e César são dois anjos que nos mantém ocupadas e preocupadas o suficiente para não nos concentrarmos na dor de não tê-lo aqui.
Agradeço a Deus por meu filho ter convivido com você, e sinto por nosso sobrinho não tê-lo conhecido. Certamente você se encheria de orgulho por ele se parecer tanto contigo. Essa semelhança às vezes nos assusta, mas também nos conforta. Ele foi um grande presente de Deus pra nós. Rezo para que ambos se tornem homens maduros e íntegros como o tio.
E assim levamos nossos dias, tentando ser felizes sem você, pois essa saudade acometeu a todos os nossos familiares e amigos. O lado bom é que depois de um ano aprendemos a não nos entregar à tristeza, tampouco questionar o porquê de termos passado por tudo isso.
Despeço-me com a certeza de que o amor que sentimos continua o mesmo, que nossas vidas permanecem entrelaçadas e que um dia nos reencontraremos.
Um abraço enorme, caloroso e forte.
Das mulheres de sua vida.

2 de fev. de 2012

Protegido Pela Rainha

Hoje é dia de festa no mar. Aqui em Salvador, todos (ou pelo menos os que podem, porque não é feriado) param suas atividades para ir ao bairro do Rio Vermelho homenagear a Rainha Iemanjá, levando-lhe oferendas. e pedindo bênçãos. 
Menos eu. Apesar de ser uma das minhas festas preferidas do calendário baiano, desde o ano passado meu programa pra este dia é reverenciar meu sobrinho, que teve a graça de nascer num dia ensolarado de verão, abençoado pela Rainha do Mar. Chicão (como eu e Bento o chamamos) cresceu, já tem dentes, anda sozinho e comemora hoje seu primeiro ano de vida.
E o mais bonito na sua ainda curta história de vida, é que César mudou a forma como víamos o dia 2. Uma data que nos marcou tristemente, por ser o dia da morte de Crístian. Os olhos enormes de César e a incrível semelhança com seu tio acalantaram nosso sofrimento inúmeras vezes. E nós entendemos que aquele anjo não merecia nenhuma tristeza em torno dele.
Parabéns, Chicão, muitos anos de vida e saúde, de paz e luz no longo caminho que você certamente ainda tem pela frente.

13 de dez. de 2011

Bentices

Chamei-o para assinar os cartões dos presentes de Natal e ele veio empolgadíssimo. Escreveu apenas o seu nome no cartão da avó e da tia, até que eu entreguei-lhe mais um:
- Esse é o de César.
Ele parou e disse arregalando os olhos:
- Mas mãe, eu ainda não sei fazer o "C"!
                                           ***
- Mãe, as pessoas que não têm filhos, têm que pedir à papai do céu!
- E será que Ele vai dar, meu filho?
Pensativo:
- Não sei... - acho que só vai dar a alguns, os que forem educados.
                                           ***
No último dia de aula, voltou da escola com essa:
- Mamãe, eu vou mudar pro "gupo quato" e vou ter outra "pofessora".
- Hummm, que ótimo!
- Mas eu vou continuar com a mesma mamãe e o mesmo papai!
                                             ***
Após "ler" o livro O casamento do Pato, perguntou:
- Mãe, você já se casou com meu pai?
                                             ***
Ele disse que me amava e eu resolvi instigar.
- E você sabe o que é amor?
- Amor é quando se abraça e depois se casa.

2 de dez. de 2011

Cara de Durão, Coração de Melão

O primeiro emprego de Crístian aqui em Salvador foi numa agência de publicidade, que além de remunerar mal, ainda atrasava o salário. Embora trabalhasse na criação, acabou ficando amigo do boy da empresa. Costumavam almoçar juntos. Todos os dias ele chegava em casa com uma história nova sobre esse rapaz, que encarnava a própria figura do office-boy daquela musiquinha enjoada dos anos 80, porque se dava mal em tudo. 
Não cheguei a conhecer o rapaz, e ainda por cima, esqueci seu nome, mas lembro de muitas histórias tragicômicas dele, narradas com  a expressividade e o riso marcante de meu irmão. O cara morava sozinho num cubículo, mal tinha dinheiro pra pagar o aluguel e vez por outra Crístian levava almoço para ele.
Um dia chegou me contando que o amigo havia engravidado a namorada. Eu fiquei preocupadíssima. Como alguém que mal se sustentava poderia colocar um filho no mundo? Semanas depois outra bomba: Gravidez gemelar!
Eu quase caí pra trás, com pena daquelas pobres crianças e Crístian soltava seu riso largo, como se não se importasse com o infortúnio do cara. Eu lhe pedi que não risse, porque a situação era séria, e ele me veio com essa pérola:
- Ele disse que vai registrar com os nomes "Deivson e Pâmela"! 
Aí até eu ri (poderia haver destino pior do que esses nomes???).
Tempos depois chega em casa a fatura do meu cartão de crédito, o qual eu havia presenteado Crístian com um cartão adicional. Na listagem, a conta de uma loja de artigos para bebês. Questionei-o a respeito e ele me disse que havia comprado para os filhinhos do amigo, que ainda não tinham enxoval. 
- Mas não se preocupe, assim que receber ele vai pagar!
Nunca vi a cor daquele dinheiro, não conheci os gêmeos, nem seus pais. Mas ficou a certeza de que meu irmão, apesar de tentar se fazer de durão, tinha um coração enorme.

Saudades de nossas histórias, nossa conversas, nossa cumplicidade... saudade boa, Amor, sem tristeza, porque como diz aquela música do Biquíni Cavadão: "o amor vai sempre ser amor, em qualquer lugar".

20 de nov. de 2011

Em Campanha

Minha amiga Viajante, autora do blog Foi Assim, certa vez entrou em campanha pedindo votos para um conto seu, que participava de um concurso cujo prêmio era uma publicação num livro. Entramos todos em campanha, votamos muito, mas no final foram só dez contos escolhidos e nossa amiga ficou de fora (embora seu conto fosse excelente!).
Agora é a minha vez de pedir voto. Meu sobrinho César, aquele fofo que vocês já conheceram através desse post (que diga-se de passagem é o mais comentado do blog), está concorrendo ao Bebê Hipoglós 2011. E com isso toda a família e amigos estão mobilizados para votar muito e fazer a alegria dos pais dessa lindeza.
Conto com o precioso voto de vocês, meus queridos internautas, seguidores e leitores fiéis.
São só dois cliques, não deixe de votar no pequeno, ele é lindo e merece!


Clique no link e vote: http://meu.bb/180830

2 de out. de 2011

Tiozão (ou Titio Dão)

Hoje estaremos reunidos, comemorando o primeiro aninho de Guelé. Guelé é como carinhosamente chamamos o pequeno Miguel, filho mais novo de meu querido primo-irmão Lory e de sua amada Camila.
Crístian viu Miguel nascer, embora não tivesse tido a chance de conviver com ele como o fez com Bento, João e demais crianças da quinta geração da nossa família. 
Lá se vão sete longos meses desde a sua partida e ainda sentimos muito a sua ausência, mas hoje não é dia de tristeza, não é dia de chorar. Sentiremos saudades sempre, pois nada pode substituir sua presença forte entre nós. Mas o trazemos em nossos corações, então vamos comer nosso caruru e cantar parabéns pra Guelé como titio Dão faria se ainda estivesse aqui conosco.

Muitos anos de vida e saúde para Miguel!


Pra ilustrar o post eu escolhi essa foto de Crístian carregando Bento e João (irmão de Miguel), quando os dois tinham apenas 8 meses. Ele amava profundamente essas crianças e costumava divertir-se muito com os pequenos.

2 de jul. de 2011

Eu Te Vejo

clique na imagem para ampliar
(Leitores assíduos desse blog, perdoem a melancolia, mas o segundo dia do mês ficou tristemente marcado em meu calendário, e não há como não desabafar aqui sobre a imensa saudade que sinto dessa pessoa que passou a sua breve existência ao meu lado.)

Olho para trás e te vejo em todos os momentos da minha vida.
Nas brincadeiras e travessuras da infância, eu, que sempre convivi mais com meninos do que com meninas, queria fazer tudo como ele: subir em árvore, jogar futebol na rua e até brigar com os moleques. Também o protegia das brigas com garotos maiores e dos castigos e surras em casa. Várias vezes assumi erros que ele tinha cometido, porque conhecia o peso da severidade de meu pai quando precisava "educar" meu irmão.
Nos vejo adolescentes, com a nossa cumplicidade tão invejada. Ouço minha voz chamando-o de "Amor" e sendo imitada por mainha, por Jea, por Milly, que riam da minha forma de tratá-lo.
Num tempo de rebeldia e rudeza, alguns amigos, espantados, diziam: "Essa garota é apaixonada pelo irmão!". E era mesmo. Ele era a personificação do amor na sua forma mais pura.
Fomos responsáveis por uma mudança de postura dentro da nossa família, porque começamos a demonstrar esse amor, contagiando a todos. Nossa geração aprendeu a assumir o amor que sentia sem medo e sem reservas. Hoje nossa família é diferente, graças a isso, graças a ele, que era um ponto em comum, amado e admirado por todos.
Posso vê-lo implicando com Toni, meu primeiro namorado, por puro ciúme de irmão protetor. Implicância essa que ele teve de superar, quando namorou com Jamile, irmã de Toni. A partir daí eu passei a escolher suas namoradas a dedo, e coitadas daquelas que não fizessem parte do meu restrito rol de amigas...
Vejo você sob o sol dos verões em Berlinque,  nas bebedeiras com a galera, fumando os primeiros cigarros  escondidos, nos shows do Ira e Legião Urbana. Posso te ouvir tocando violão no quarto ao acordar, naquelas tardes na orla ou nas festinhas da casa de Érica... 
Te vejo lindo, como costumava chamá-lo, alto, alvo, com seu topete, suas roupas estilosas, seu sorriso de canto de boca, seu olhar de desdém...
Já adulta, tomei consciência de que era preciso me afastar um pouco e deixá-lo viver seus relacionamentos. Eu era o tipo de irmã que sufocava, de tanto amor. Deixei-o namorar em paz, longe das minhas influências e das minhas críticas. E assim pude vê-lo transformar-se num homem inteligente, bem humorado, de difícil convivência, mas capaz de amar e ser fiel à mulher escolhida.
Vejo-o na cozinha, detalhista e exigente, preparando o almoço delicioso que degustaríamos em seguida, nos rasgando em elogios, porque suas qualidades sempre foram valorizadas por nós todos. Vejo-te com meu filho nos braços, brincando, ensinando-o a tocar bateria, divertindo-se com cada novidade apresentada pelo pequeno. E ainda assim, dizendo que não teria filhos, deixando a todos intrigados por sabermos da sua adoração por crianças.
Agora vejo o triste fim da história bonita de um garoto travesso, que se transformou num lindo rapaz, depois num homem admirado, que foi acometido por uma doença estúpida e nos deixou apenas fotografias e um vazio imenso, uma saudade mordaz. Sua ausência me traz a certeza de que esta vida é mesmo só uma passagem ingrata, da qual não podemos nos furtar.

Vejo você em breve, Amor!

2 de jun. de 2011

Amarela

Era assim que ele carinhosamente a chamava, e foi como nós nos acostumamos a chamá-la também.
Amarela estava predestinada a viver, ao lado de meu irmão, os melhores e piores momentos de seus últimos anos de vida.
Amarela foi a escolhida.
Amarela ficou só, e viu seus sonhos, desejos e planos serem rejeitados por Deus no dia em que abriu um envelope contendo o maldito resultado de um exame. Seu rosto, amarelo e sardento, ficou rosado, e seus olhos amarelados feito mel, ficaram em brasa. Seu sorriso sumiu e seu coração petrificou.
Ele se foi há exatos três meses, e agora quando eu vejo Amarela não posso deixar de sentir a presença dele, porque ela, para mim, sempre guardará consigo um pouco dele. 
Do melhor dele. 
Daquele olhar que ele lançava para ela, que era puro amor. Um olhar que eu nunca o vi lançar para mais ninguém, com aquela cara linda de "babaca" que ele não conseguia disfarçar, porque o amor se revela é pelo olhar.
Domingo encontrei Amarela e senti um enorme aperto no peito ao vê-la ir embora sozinha. Senti por eles não terem tido tempo de nos presentear com um fruto do ventre dela, para nos lembrarmos eternamente do amor que os uniu um dia.
Amarela foi a escolhida dele. 
Mas antes disso, Amarela foi escolhida por mim e Jea, que muito antes do namoro deles engatar, já confabulávamos para uní-los. Achávamos que ela sim, estava à altura do nosso amadíssimo irmão. E o nosso desejo foi tão forte que o universo conspirou pra esse encontro, e, mesmo sem termos nenhuma participação, eles acabaram por se encontrar e ficar juntos por sete anos.
Até que a Morte os separou.
Agradeço à Amarela por tudo. Por tê-lo amado tanto quanto ele precisava e merecia. 
Por ter sido paciente e enfermeira, companheira e acompanhante, motivadora e motivação. 
Agradeço pela dedicação, pelo cuidado, pelo carinho para com ele e com toda a nossa família (que é sua família também, pois a temos em nossos corações).
Agradeço agora e sempre, com lágrimas nos olhos, pelo presente que ela me deu no domingo.
Agora posso dizer que o trouxe para dentro de minha casa, posso olhar para o seu violão, vislumbrá-lo, e lembrar de tantos momentos bons que passamos juntos.
Amarela foi a escolhida por Deus, não resta dúvida.

6 de mai. de 2011

Os Embalos de Sábado à Noite

Faz tempo que o meu embalo sábado à noite é num quarto, acompanhada por uma criança que adora dormir abraçadinho à mamãe, mas que antes de render-se ao sono, dá centenas de pulos na cama. 
Já não consigo mais embalá-lo, devido aos seus quase 15kg, mas sem dúvida tenho adentrado muitas madrugadas acordada, seja aferindo sua temperatura, em tempos de crises de garganta, ou levantando-me para levá-lo ao banheiro, de modo que não acordemos, imersos numa poça de xixi, como já aconteceu algumas vezes.
Nunca entendi o porquê da frase: "Ser mãe é padecer no paraíso", até ser mãe, claro!
Padecemos sim. São noites em claro ninando, amamentando, depois desmamando, depois tirando a fralda noturna, sem falar quando estão doentes e temos que faltar ao trabalho, porque nada substitui a presença da mãe quando um filho adoece. 
As preocupações são infinitas: se comeu bem, se está se desenvolvendo normalmente, se cortou o cabelo, se foi maltratado pela babá, se brigou com algum coleguinha na escola, se está fazendo birra, se fez malcriação com a vovó... Hoje denominaram-me "mãe enxaqueca", e nem vou explicar porquê...
E o paraíso? O paraíso existe, claro. É quando você olha aquele rostinho e sente uma paz enorme, percebe que valeu a pena e que faria tudo de novo, porque vê-lo correr na sua direção, adormecer em seus braços e dizer "eu te amo" de forma espontânea, deve ser exatamente o tal paraíso da mãe.

Queria desejar às minhas amigas que já são mães, um excelente dia, na companhia de suas preciosidades.
Às que ainda não experimentaram a sensação de ter seu coração batendo noutro corpo, eu desejo que o desejo de vocês se torne realidade, e que vocês não tenham medo, porque o amor é uma coisa boa. E esse amor é o mais puro e real que pode existir.
Às minhas avós (onde tudo começou), tias, madrinha, prima, irmã, sogra, cunhada e às mães de meu queridos amigos, os meus sinceros parabéns pelos seres humanos incríveis que vocês trouxeram (ou ainda estão trazendo) ao mundo.
E por fim, mas não menos importante, à minha mãe, que recentemente sofreu a dor que dói mais, que é a de perder um filho, e portanto esse Dia das Mães não será o mesmo para ela. O meu muito obrigado pela vida toda, mãe, e o meu pedido para que fique mais perto de nós, porque, além de tudo, a vovó quebra um galhão quando a mamãe precisa sair pra curtir um embalo no sábado à noite.

Um dia lindo a todas nós!

2 de mai. de 2011

Dois Meses Sem Ele


Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, dóem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que já morreu.
Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos.
Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.
Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber.
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

10 de abr. de 2011

Eu, Minha Mãe e As Mães de Chico Xavier

Pra coroar o baixo astral que me ronda, fui assistir à película, que encerra as comemorações pelo centenário do famoso médium. Entendam, não estou em fase masoquista, apenas quis agradar à minha genitora, que fez anos, e pediu-me que a levasse ao cinema para ver esse filme.
Estava no carro, a caminho do shopping, quando ouvi, pelo rádio, uma crítica bastante desestimulante, mas como havia prometido à Dona Lêda, lá fui eu! (Até porque, não tenho a pretensão de parecer entendida de cinema, apenas gosto, mergulho e vivo intensamente cada história que me interessa ).
O filme começou bem levinho, mas do meio pro final tornou-se lacrimejante, como não poderia deixar de ser, afinal o assunto é triste mesmo. Quem não tiver estômago não vá. Só quem passou por isso busca esse tipo de situação, na tentativa desesperada de compartilhar e se solidarizar com quem sofreu a mesma dor.
Deus deveria respeitar a ordem natural das coisas e proibir a morte de filhos. É torturante pensar nisso, e impossível não se colocar no lugar de uma mãe, sendo eu, mãe. E ficar ali, vivendo a tristeza da mãe que perde seu menininho de 5 anos também mexeu demais comigo. (Como se eu já não estivesse suficientemente "mexida").
Enfim, o filme é triste, porém bonito, porque fala de um amor verdadeiro e incondicional. A mensagem que mais me marcou foi quando Chico orientou a mãe que perdeu o garotinho a agradecer à babá, com a qual ele se encontrava no momento do acidente, que posteriormente o levou à morte. A lição de Chico é: Se fosse com a própria mãe, o sofrimento pela culpa teria sido muito pior pra ela.
Saí do cinema com uma vontade enorme de ter tido a oportunidade de conhecê-lo, e quem sabe, de receber uma de suas cartas psicografadas. Não me tornei espírita, mas sempre simpatizei com a doutrina, e agora que tenho pesquisado a respeito, sinto-me reconfortada por acreditar na vida após a vida, e no reencontro que um dia terei com o meu linDão.

Encerro o post com outra frase de Chico Xavier, que é bela, triste, porém alentadora: 

"A saudade existe dos dois lados"

27 de mar. de 2011

Um Sonho

Estava a visitá-lo em um hospital. Não era nenhum daqueles locais em que estive ao seu lado nos longos períodos de internamento. Na verdade não percebi nada ao meu redor, só me lembro dele, sentado numa cama. 
Seu semblante estava tranquilo e a voz serena. A pele, sempre tão alva, contrastava com os cabelos negros e sedosos. Toquei seus cabelos carinhosamente. Estava surpresa e feliz em vê-lo daquele jeito, pois, em vida, a doença  o debilitara muito e a quimioterapia o fizera perder peso e cabelos.
Disse-me que estava se tratando e mostrou-me uma cartela marrom, que mais parecia um relógio, onde os remédios ficavam na posição dos números principais (3,6,9,12).
Foi rápido. Um sonho curto e bom. Acordei naquela madrugada com uma sensação de felicidade tão estranha... uma vontade enorme de que tivesse sido verdade, de que tivéssemos mesmo nos encontrado e eu pudesse ter a certeza de que ele está mesmo bem.

Mal rompe a manhã
E há traços de sol pelo chão
Lembranças e lágrimas
E nos meus lábios
O beijo amargo, a única verdade
Ausência
O que aconteceu depois?
Sua imagem chega como num filme
Passam por mim gestos e fatos...
Como eram seus cabelos, o seu rosto
Cada uma de suas feições?
Uns e Outros - Ausência
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