Palavras de Alento

17 de dez de 2011

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo XXXIII

Ela se fora ao amanhecer, levando consigo a sensação de que havia sido a última vez. Preferiu deixá-lo dormindo, a ter que vê-lo partir outra vez. Mas se fosse mesmo a última vez, não haveria porque arrepender-se, teria trocado a eternidade por aquela noite. 
A Mulher Só chegou ao bar do Hotel Arts antes das oito. No balcão, pediu um gim tônica. Tomou três e depois dirigiu-se, meio cambaleante, ao saguão do hotel. O Homem Sem Tempo havia acabado de descer e trazia uma rosa vermelha nas mãos. Seus olhos não acreditaram quando pousaram sobre aquela mulher cuja boca e sapatos tinham a mesma cor da rosa que ele segurava. 
Ela estava estonteante. Era a visão do paraíso e ele desejou morrer ali, emaranhado naqueles cabelos revoltos, enlaçado por seus braços, ou pelas pernas longilíneas à mostra, sobre saltos que lhe pareciam impossíveis de se equilibrar. Nunca a vira ou a imaginara daquele jeito. Seu coração acelerava à medida em que ela avançava em sua direção. Parecia outra mulher. Ou era outra pessoa, ou estava possuída. Aproximou-se dele e nada disse, apenas respirava ofegante, fazendo o peito, preso num decote assustador, subir e descer, deixando-o ainda mais enlouquecido. E ele não conseguia tirar os olhos daquela boca incandescente. Beijaram-se de forma alucinada. E subiram sem trocar uma palavra. 
Mais tarde desceram para jantar, conversaram, beberam vinho e riram muito de seus desencontros. Ela estava feliz. Era a noite do Dia dos Namorados e ele estava ali. O que mais poderia querer? A vida toda? A vida toda seria muito tempo. Ela sabia que não merecia tanto. 
Subiram novamente, se amaram mais uma vez e a última coisa de que se lembrava era do som da sua própria risada e dos carinhos dele em seu rosto antes de adormecer. 

To be Continued

8 Recadinhos

Flavio Ferrari

comentou...

E a curiosidade do "marcador" ... ficcção.

18 de dezembro de 2011 01:22
Responder
Paty Michele

no comando :)

Ah, mais um pra achar que a história da MS é minha autobiografia. kkkkkkkkk

18 de dezembro de 2011 19:56
Responder
Vera Lúcia

comentou...

Olá querida,
Um capítulo delicioso! Adorei a bela narrativa.

Ainda farei uma publicação antes do Natal. Caso você não possa visitar-me deixo-lhe, desde já, meus votos para um Natal maravilhoso em família, com muita paz, alegria e amor. Que papai-noel seja bem generoso com você o e Bentinho.

Beijão.

18 de dezembro de 2011 21:45
Responder
A viajante

comentou...

Esse homem sem tempo tem tempo... e a mulher só, anda bem acompanhada... mudam-se os tempos...

18 de dezembro de 2011 21:56
Responder
Lívia

comentou...

última vez como assim??? agora eu quero mais!!!!!!!

19 de dezembro de 2011 23:28
Responder
Luiz

comentou...

Que vença o amor!

21 de dezembro de 2011 18:45
Responder
Antonio de Aruanda

comentou...

Gozei, irmã! Sentidos aguçadíssimos :)

22 de dezembro de 2011 17:30
Responder
Por elas

comentou...

uau! de onde ela tirou tanta coragem???

24 de dezembro de 2011 10:05
Responder

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