
Passei à frente dele e acelerei, ele veio logo atrás dando sinal de luz. Vai te catar!!!! Mais à frente, sinal vermelho, e o carro dele pára ao lado do meu. Me enchi de coragem e olhei pro lado a fim de encarar o meu algoz.
Mas que algoz lindo, que sorriso... nunca uma briga de trânsito me trouxera algo tão reluzente. Sorri, surpresa. Ele gesticulava, dizendo: “Me dá seu telefone”. Brinquei, fingindo que jogaria meu celular pra dentro do carro dele. Sinal verde. Acelerei, sinalizei pra direita, ele logo atrás fez o mesmo. Subi o Morro do Ipiranga, e na descida, sinal vermelho. O carro dele coladinho atrás do meu. Ele desce, celular em punho, cheio de atitude, encosta na minha janela e pede o meu número.
No exato momento em que eu proferia os nove dígitos mágicos, seus olhos entraram pela minha janela e pousaram naqueles olhinhos pretos e redondos como duas contas cravadas na pele branca, que estavam no banco de trás.
Sinal verde. Agradeceu e se afastou sorrindo. Nunca me ligou.