Palavras de Alento

23 de ago. de 2011

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo XXIX

Passaram semanas namorando à distância. O computador e o telefone minimizavam a ausência que sentiam um do outro. Faziam promessas e trocavam juras de amor, mas a Mulher Só, apesar de apaixonada, não se deixava iludir. Não fazia perguntas sobre a vida dele, nem cobrava nada, apenas vivia o momento.
Numa noite, o Homem Sem Tempo disse-lhe que iria a Barcelona estar com ela em breve. Não quis saber que desculpa ele daria em casa. Permitiu-se ficar radiante e preparou-se durante os dias que antecederam a chegada de seu amado.
Naquela quinta-feira à noite ela saiu dizendo à garota Francesa que iria encontrar-se ele. A amiga torcia pelos dois, embora soubesse bem como essas histórias costumam terminar. Emprestou-lhe o carro, dizendo que não se preocupasse com a hora de voltar.
Encontrou-o no bar de um pequeno hotel, localizado no centro de Barcelona. Estava vestido com a formalidade costumeira e exalava um perfume que a entorpecia. Quando a viu seu semblante sério e cansado deu lugar a um sorriso iluminado.
Beijaram-se apaixonadamente ali mesmo, de pé, próximos ao balcão onde ele tomava um uísque.
- Vamos ficar aqui? - ela perguntou, procurando onde sentar-se
- Não.
- Então aonde iremos?
- Pegar o elevador - ele respondeu piscando maliciosamente para ela.
Não havia porquê esperar. Não havia como deter aquela paixão incontrolável que os consumia. Ela teve tempo apenas de pegar o celular e enviar uma mensagem de texto.
Em casa, preparando-se para dormir, a Garota Francesa ouviu um bipe de mensagem chegando no celular. Verificou o aparelho:

"Só volto amanhã"

- Uh, lá lá..! - exclamou, num misto de  espanto e animação.

20 de ago. de 2011

Mãe, Primeira Referência

Enquanto conversávamos ele me pediu um binóculo.
- Pra quê você quer um binóculo, filho?
- Para observar estrelas, pterodátilos, bem ti vis e pombos. - respondeu, colocando as mãozinhas diante dos olhos, imitando o referido objeto.
Concordei, mesmo sabendo que ele sairia decepcionado com essa história de observar pterodátilos. Ele continuou a conversa, explicando:
Quando eu "quecer" - leia-se crescer - eu quero ser um explorador. E também eu vou ser um "píncipe".
- E o quê que os príncipes fazem? - perguntei, intrigada, com funções tão distintas.
- Moram num castelo.
- Sozinhos?
- Não, com uma rainha.
- E quem é a rainha? - mamãe torcendo pra ele dizer: Você!
- É uma menina. - decepção... meu filho já quer casar!
- E ela é bonita?
- Sim, igual a você!


Adoooooro!
 Essa mereceu um post, concordam? Mãe boba!

16 de ago. de 2011

TPM: Afaste-se

Porque em alguns meses, se eu pudesse, sumiria da face da Terra.

Temporada Proibida para Machos
Tendência a Pontapés e Murros
Todos Problemas Misturados
Totalmente Pirada e Maluca
Tocou, Perguntou, Morreu
Tenha Paciência, Moço
Tente Perturbar Menos
Tente no Próximo Mês
Tendência Para Matar
Tira as Patas, Maldito
Toda Paixão Morre
Tô Puta Mesmo

Garimpei as pérolas acima na internet, e ainda encontrei essa piadinha infame:
"A diferença entre uma mulher na TPM e um sequestrador, é que com o sequestrador ainda existe uma possibilidade de negociação".

13 de ago. de 2011

Momento Tenso

Segundo me informaram, eu estava nervosa. Não sei ao certo se era nervosismo. Lembro que eu tinha a boca seca, as mãos geladas, as  pernas trêmulas e um medo absurdo de falar alguma bobagem. Geralmente quando estou nervosa eu falo alto e rápido, mas naquela hora meu tom de voz estava sereno, controlado, adequadíssimo à quantidade de pessoas na sala. 
Eram poucas, como eu previa. Somente os fiéis amantes da academia, como eu.
Fui aprovada, meu trabalho foi validado, com relevância social e educacional, mas ainda há o que complementar. Também esperava por isso.
Estou  mais leve, confesso. Meu sorriso flui. E me sinto pronta pra continuar a caminhada acadêmica.

Obrigada a Adriane (que também mencionou esse processo em seu blog) por ter acompanhado todo o trabalho, e a Marildes pelas pertinentes considerações;
A Luiz, Elane e Emmerson por prestigiarem esse momento;
E àqueles que, impossibilitados de se fazerem presentes, emanaram suas boas vibrações.

9 de ago. de 2011

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo XXVIII

Após a partida do Homem Sem Tempo, ela retomara sua rotina. Decerto que seus dias nunca mais seriam os mesmos, pois as lembranças dos momentos vividos com ele se eternizariam em sua memória. 
Agora tinha, novamente, apenas a sua solidão por companheira. Concentrava seus esforços nas atividades do dia a dia, nas leituras e na pesquisa, mas sempre era tomada de assalto pelos pensamentos que o traziam de volta. 
Falavam-se pelo celular de vez em quando, trocavam mensagens apaixonadas por e-mail, e vez por outra ela adentrava a madrugada conversando com ele num site de bate papo. 
Apesar da distância, estava feliz por saber que o sentimento que nutrira por tanto tempo, era correspondido na mesma intensidade. Chegava em casa todos os dias ansiosa por uma nova mensagem, ou por encontrá-lo online. Naquela noite, o cansaço do dia fizera com que esquecesse a ansiedade. Quando finalmente conseguiu tomar um banho e cair na cama, olhou para o computador e decidiu checar seu correio eletrônico. E ali encontrou um bom motivo para dormir feliz. 
              
"Menina,
Apesar da cólera e indisposição que me tomam, sinto-me mais forte e melhor à medida que converso contigo, quer seja por mensagens, por telefone ou pessoalmente. Você tem um significado pra mim. Não é apenas atração, é a necessidade vital de te sentir, de compartilhar momentos contigo, de te amar, te fazer e receber carinho. Não sei explicar, não posso atribuir tão somente aos meus pensamentos, meus desejos, pois deixei de alimentá-los durante um tempo, tanto é que demoramos tanto para nos acertarmos, nos encontrarmos, enfim, chegarmos aos finalmente.
Você tem algo bom, que me faz sentir alegria, somente pela tua presença. Farei uma loucura, em breve, mas loucura aos olhos das pessoas, não aos olhos de nossa essência, pois somos da mesma essência que formou todas as coisas. Insisto que não é, somente, atração. É desejo, é paixão, talvez amor, sendo construído, forjado, no fogo do tempo."

To be Continued

2 de ago. de 2011

César

César foi um trocinho que Deus mandou há 6 meses pra acalantar a vida da gente. 
Hoje eu vejo isso claramente, mas houve um tempo em que eu estava cega para César. Eu só via, só pensava, só me preocupava com o tio dele. E é sobre a relação com esse tio, que César viu apenas uma vez, no seu segundo dia de vida, que quero escrever hoje.
Deus, lá de cima, brincando com nossas vidas como comumente o faz, nos mandou César e nos tirou Crístian na mesma época. A notícia da vinda de César chegou aos meus ouvidos dois dias antes do resultado dos exames que atestaram o câncer de seu tio. Ninguém comemorou. Por motivos óbvios, não tínhamos condições emocionais de vibrar por uma vida que chegava. Ao invés disso, chorávamos pela possibilidade de abreviação da vida daquele com quem convivíamos e que tanto amávamos.
Sua mãe foi uma grávida triste. E isso era visível. Passou sua gestação levando o irmão às sessões de quimioterapia, a cada 21 dias, tentando desesperadamente passar o máximo de tempo possível ao lado dele. Quando sua barriga despontou, espantamo-nos: havia mesmo uma vida pulsando ali, ele queria vir, queria fazer parte desse círculo, dessa família, desse amor. Então finalmente a ficha caiu, logo um novo membro da família nasceria, nada mais justo e natural que acolhê-lo com todo amor de que dispúnhamos.
César veio numa linda manhã de verão, com direito a engarrafamento nas proximidades do Rio Vermelho, por conta da festa de Yemanjá. Nasceu lindo. A cara de Bento, só que em tamanho GG. 
Nesse dia eu me permiti chorar, emocionada, ao vê-lo através do vidro do centro cirúrgico. Lembrei do dia do meu parto e tive até vontade de ter outro filho (na verdade isso foi quase um surto, que não durou muito, rsrs). Nesse dia eu esqueci um pouco o agravamento da doença de Cristian e me permiti ficar feliz por César e por seus abençoados pais.
A última vez em que meu irmão saiu de casa, antes de internar-se para sair do hospital já sem vida, foi para ir conhecer o sobrinho. Registramos esse dia com fotografias e guardamos lindas lembranças dele, esforçando-se para aparentar um bem estar que já não existia. Dois dias depois foi internado, e no dia em que César completou um mês de vida, seu tio partiu.
Hoje faz seis meses que Deus nos presenteou com César, sabendo que  precisaríamos dele para abrandar a dor pela perda de Crístian um mês depois. Foram dias difíceis, mas o tempo passou e ele cresceu e nos mostrou que herdou o sorriso de canto de boca e o levantar de sobrancelha, igualzinho ao do tio. 
César nos traz alegrias infinitas, mas às vezes vejo aquele sorriso inocente, aqueles olhos enormes e lembro tanto de meu irmão, que tenho vontade de chorar. Mas não choro, porque César é alegria, e é uma prova de que Deus nos ama muito!

29 de jul. de 2011

Do Fascínio Pela Academia

Já não é de hoje que eu tento me enfronhar pelas tortuosas vias do mundo acadêmico. Quem me conhece sabe desse desejo antigo, engavetado em 2007 por conta da inesperada, porém desejada, gravidez de Bento. Depois veio a maternidade e todo o processo que faz o mundo das mães girar em torno da cria.
Ano passado voltei a estudar, e a partir daí senti fôlego para lançar-me novamente rumo ao mestrado. Durante essa semana, assistindo às apresentações dos TCCs dos colegas, minha vontade de estar infiltrada nesse ambiente de produção de conhecimento só aumentava. Apreciar as considerações de uma banca é tenso, porém instigante. Há muita vaidade no meio acadêmico, é verdade, às vezes parece que é muita estrela pra pouco céu, mas admiro esses profissionais que, muitas vezes, abrem mão da sua vida pessoal para se dedicar às ciências.
Não que eu pretenda abrir mão da minha família, isso está totalmente fora de cogitação. Acredito que podemos ser multi, poli, pluri e desempenhar papéis distintos em nossas vidas, sem ter que abrir mão de (quase) nada. Isso porque eu não sou baladeira e me conformo com uma vida social pacata, praticamente familiar. 
Mas para a concretização desse ideal é preciso contar com uma rede de apoio, na qual coexistam alguns personagens, tais como um companheiro que tenha os mesmos objetivos, amigos e familiares que assimilem bem a ausência nos encontros, um ex marido presente na vida do filho (não na minha, claro!) e uma boa diarista, daquelas silenciosas, que limpam tudo e vão embora, sem atrapalhar minhas leituras. 

Ah, como é bom sonhar... mas eu chego lá!

25 de jul. de 2011

Rapidinhas Românticas

Estávamos num momento íntimo no sofá: abraços calorosos, beijinhos e carinhos sem ter fim.
De repente, perguntei:
- Você me ama?
- Sim e eu vou "quecer"! (leia-se crescer)
- E vai continuar me amando? - mãe insegura...
- Sim. E eu vou te chamar de "querida"!
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Zangou-se por ter levado uma bronca, deu-me as costas e saiu de cara feia. Parou no meio da sala, virou-se e me disse:
- Mamãe, você é Bahia!
Mais tarde, na hora de dormir, já aconchegado em meus braços e com o humor melhor, retratou-se, fazendo voz doce e acariciando o meu rosto:
- Mamãe, você é Vitória!
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Ele estava assistindo a um desenho animado, quando eu me aproximei e coloquei ao lado da TV, um porta retrato onde eu aparecia abraçada a meu namorado.
Desceu do sofá, pegou a fotografia, analisou-a e disse melosamente:
- Oh... que amor!
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19 de jul. de 2011

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo XXVII

O Homem Sem Tempo embarcou para o Brasil naquela manhã fria, com a sensação de que a sua vida nunca mais seria a mesma. Não imaginava o quanto aquela mulher solitária e misteriosa poderia mexer consigo. Não parou de pensar nela um segundo sequer. Estava impregnado pelo cheiro dela, sua boca guardava o sabor de seus beijos e seus braços clamavam pelo corpo dela novamente. 
Sentia-se tomado por um sentimento arrebatador, que parecia entorpecê-lo. Gostava daquela sensação, daquele torpor que nos impede de ver a realidade e nos faz desejar apenas a companhia do ser amado. 
Não era só desejo, ele sabia. A admiração pela Mulher Só surgira há muitos anos. Mas eles desencontraram-se e se perderam. Também não podia imaginar que ela correspondesse ao interesse que ele sentiu no passado. Era uma mulher séria, parecia distante, compenetrada, focada em seus objetivos, e ainda por cima, casada. Não se arriscaria. Não se arriscou. E a perdeu. 
Queria ter ficado mais tempo com ela em Barcelona, desvendado seus mistérios, conquistado seu coração. Precisava fazê-la perder o medo de entregar-se, desapegar-se de valores ultrapassados, que os impediriam de serem felizes. Mas não podia. Suas obrigações e escolhas o chamavam para a realidade, lembrando-lhe que os arroubos juvenis não cabiam mais a um homem como ele. 
Infelizmente. 
Sua esposa certamente estaria à sua espera no aeroporto e questionaria os reais motivos que o fizeram ficar na Europa, e quase obrigá-la a embarcar sozinha um dia antes. Estavam no aeroporto de Lisboa, prestes a embarcar para o Brasil. Angustiado, ele disse que precisava voltar ao hotel para pegar alguns documentos que havia esquecido no quarto. Ela telefonou-lhe insistentemente, até que ele atendeu e orientou-a a embarcar. 
- Resolvo tudo ainda hoje e viajo em seguida - mentiu - Não deixe de embarcar, eu vou tentar remarcar minha passagem para o próximo vôo. 
E sua Esposa assim o fez. Quando confirmou a partida dela, o Homem Sem Tempo foi para o aeroporto e tomou um vôo rumo a Barcelona, onde viveria os momentos mais felizes dos últimos tempos. 

To be Continued
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