Palavras de Alento

28 de mai de 2010

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo VIII

Estava às voltas com o casamento de sua irmã mais velha. Era quase primavera, e mesmo estando tão descrente do amor, imergiu nos preparativos, de modo a contribuir de alguma forma, já que seria madrinha dos nubentes.

Fora encarregada de providenciar um bom fotógrafo, que além de registrar tudo, entregasse as fotografias num álbum à altura daquela festa, que lhe parecia exagerada e desnecessária. Mas não discutiria isso com sua irmã agora, pois certamente entrariam em conflito e isso seria péssimo, às vésperas de sua boda. Precisavam apoiar-se mutuamente, pois só tinham uma à outra, além de seu velho e cansado pai.

- Aqui, senhora, dê uma olhada nesses modelos pra ver se algum lhe agrada.

A atendente do estúdio fotográfico pusera à sua frente uma pilha de álbuns. Não sabia por onde começar. Desanimada, pensava na perda de tempo que fora seu próprio casamento. Fizera tudo por imaturidade, mas sua irmã já tinha exemplos suficientes pra saber que aquela pompa toda não lhe garantiria felicidade alguma.

Decidiu que olharia dois ou três álbuns e escolheria qualquer um, tamanho o enfado que lhe causava assuntos relacionados a festas de casamento, sobretudo fotos. Sua irmã certamente fizera de propósito, sabedora de que a Mulher Só detestava esse tipo de formalidade. Para ela, não fazia sentido algum estampar aqueles sorrisos rasgados, vestido branco, fraque, daminhas, flores, flores, flores... Quanto desperdício!

Examinou um álbum, não gostou. Pegou outro, e já estava distraidamente a folhear o terceiro quando, em meio a tantos, retratos reconheceu um dos rostos.

Parou, estática.

Estava em choque. Seus olhos não queriam acreditar no que viam.

Era ele, o Homem Sem Tempo, sorrindo ao lado de uma mulher, numa fotografia de casamento. Do seu casamento.


To be continued...

25 de mai de 2010

Sessão Depressão

Duas situações recentes foram fundamentais no processo de construção da pessoa que sou hoje. Sim, pois já não sou a mesma de 5 anos atrás. Posso ter resquícios do que fui, mas certamente, aqueles que me conhecem de verdade sabem que houve uma mudança substancial na minha forma de ver e viver, sobretudo no que tange às questões do coração.

Foram duas situações marcantes. A perda (de alguém, de algo, de um sonho, uma ilusão, não sei ao certo) e a chegada de meu filho. Pra complicar ainda mais a história, ambas aconteceram concomitantemente.

Por um lado, perdi as ilusões e aprendi, na prática, que o amor não dura pra sempre, que quando a paixão acaba as máscaras caem e você passa a enxergar o que há de pior num ser humano que pensou amar um dia. Em contrapartida a tudo isso, vivia uma experiência linda e inexplicável, que é a maternidade. Conheci o amor em sua forma mais pura e verdadeira. Um sentimento que colocava (e coloca ainda) qualquer outro no chinelo.

Mas por quê sofrer por amor, se o amor estava ali em meus braços? Por que amar alguém que não me dava mais importância, se eu era a pessoa mais importante para aquele serzinho que era a personificação do amor? As respostas vieram em pouco tempo e saíram de dentro de mim.

E assim, o processo de cicatrização se deu forçosamente. Eu não podia me dar ao luxo de ter um coração (e a cabeça, muito menos) doente, já que havia alguém precisando tanto desse meu amor, que havia sido rejeitado.

Hoje vejo esse sentimento de uma forma totalmente diferente. Amor é o que eu sinto por Bento, o resto é fichinha. Sem querer desmerecer ninguém, pois antes de ser mãe, o maior amor que eu senti, foi por meus irmãos (um só diamante, né, Jea?) e por aquele que me deixou no chão. Comparado ao que sinto por meu filho, o amor homemXmulher nem existe.

Ah, preciso confessar que depois de tudo que passei, revesti-me com uma capa inoxidável, (quase) impenetrável. Pensei que estivesse aberta a um novo amor, mas constatei (tristemente) que não. A armadura invisível permite apenas que uma ou outra paixão se instale, mas nada se aprofunde.

Sinto muito por mim mesma. Poderia estar vivendo situações maravilhosas novamente. Mas não posso forçar nada, tenho que respeitar minha natureza, e me aceitar.

Só o tempo mesmo...

“Ainda vai levar um tempo, pra fechar o que feriu por dentro...”

21 de mai de 2010

Dia da Língua Nacional

Desconhecia a existência dessa data, e como já dizia alguém que deixou de ser importante, e por isso não deveria ser citado aqui, eu sou uma mulher de datas. Adoro comemorar, celebrar, confraternizar, enfim, lembrar datas. Além disso sou uma apaixonada pela Língua Portuguesa, e procuro reverenciá-la sempre, lendo, me informando e principalmente tentando não assassiná-la.
Não tenho nada contra o internetês, que surgiu a partir de uma nova demanda, pra facilitar, simplificar e agilizar a comunicação no ciberespaço, mas confesso que tenho intolerância a erros ortográficos. Acho lindo ver alguém falar um bom português, e sobretudo escrevê-lo. Me apaixono por palavras facilmente... ai, ai...
Poderia citar diversas pessoas aqui, não os literatos, porque seria óbvio demais, mas pessoas do meu convívio, que fazem verdadeiras obras de arte com as palavras (só não o faço para não ser injusta, esquecendo de alguém).
E meu post hoje vai para essas pessoas comuns, meus amigos, meus amores, que amam a leitura e a escrita, e usam a língua como sua maior forma de expressão.

Nossa, escrevi demais (ô vício)! E pensar que eu não queria postar sob o risco de ser contundente demais, visto que especialmente hoje, minha língua está afiadíssima.

Um presente aos amantes das coisas belas:

SONETO À LÍNGUA PORTUGUESA (Publicado no Livro Gota de Orvalho, de Waldin de Lima, poeta gaúcho, no ano de 1989)

Havia luz pela amplidão suspensa
no azul do céu, vergéis e coqueirais...
e o Lácio, com fulgores divinais,
abrigava de uma virgem a presença...

Era um castelo de ouro, amor e crença,
que igual não houve, nem haverá jamais...
Onde os poetas encontraram ideais
na poesia nova, n'alegria imensa...

A virgem era a Língua portuguesa,
a mais formosa e divinal princesa,
vivendo nos vergéis de suave aroma!

Donzela meiga que, deixando o Lácio,
abandona os umbrais do seu palácio,
para ser de um povo o glorioso idioma!...




18 de mai de 2010

De Cama, de novo

A pessoa toma uma vacina (no meu caso foram duas) contra gripe, passa o fim de semana sem poder beber, com os braços doloridíssimos, e logo depois contrai a maldita. Pelo visto todas as Influenzas se instalaram em meu organismo porque estou péééééssima! Como dizem lá em Nazacity, “tô arriada”.
Ontem fui trabalhar, deveria ter ficado em casa, descansando, tentando me recuperar. Se fizesse isso talvez hoje estivesse melhor. Mas não. Neste corpo (frágil) reside um espírito que teima em ser forte e retado, que não se deixa abater, e acaba por me colocar em situações de total debilidade física, como a que me encontro agora.
Só me resta o consolo de saber que essa será a última gripe comum (se é que pode se chamar de comum uma miséria dessas...) que vou ter nos próximos 365 dias, e melhor, que não morrerei acometida pela H1N1.
Consolo besta... (queria mesmo estar na cama agora, mas não doente!)

15 de mai de 2010

Happy End

E lá se foi mais um folhetim açucarado (pra não dizer alienado) de Maneco.
Gosto de novelas, confesso. Não de todas, claro. Só as do horário nobre. Mas confesso, ainda, que sempre assisto ao último capítulo, independente de ter acompanhado a trama.
Gostei, gostei, mas ainda acho que Dora deveria ter ficado com Marcos. Os dois formam um belo casal de cobras. E, como twittou a galera do Caralhaquatro, Maradona não deveria ser o pai da criança, pois, segundo eles "argentino tem que perder até em novela"!!! Adoooooro.
Gente, e o parto, o que foi aquilo? Quem já pariu sabe que é impossível rir daquele jeito num centro cirúrgico, eu por exemplo, tremia feito vara verde, nervosíssima, rezando pra que aquela tortura acabasse logo (saí de lá prometendo a todos os santos não voltar a um lugar daqueles nunca mais). Os bebês eram fofos, enormes, saudáveis... quem já viu gêmeos nascerem assim? Só faltou ser de parto natural. E Ingrid conferindo-os no berçario, bestificada ao constatar que eram normais... affff... (Sogra é isso!)
Também detestei ver a Betina perdoar e voltar para o marido, mas nem vou me deter neles: Hipócritas até não poder mais...
Mas final de novela é assim, todos felizes, engravidando, parindo, casando. Por falar em casamento, achei os vestidos das noivas horrorosos. Aquilo tá na moda?
Ah, também teve a virgenzinha... que pena... Só lamento!
Novela de Manoel Carlos, sem o Leblon, sem Helena, sem virgem e sem médicos, definitivamente não existe.
Meus personagens preferidos: Alice (que se deu bem no final, com dois!!!), Isabel - impagável do começo ao fim - e a mãezona Tereza (Lília Cabral deu um banho de interpretação). Sim, claro, não esquecendo o meu sonho de consumo: O gêmeo irreverente!

Sentirei saudades? Sei lá, sei lá...

12 de mai de 2010

A história secreta da Mulher Só e do Homem Sem Tempo

Capítulo VII

As pessoas gritavam lá fora. Euforia geral. A noite caía e as ruas estavam lotadas de gente comemorando. Fogos estouravam nos céus, e dentro daquele velho casarão ela tentava atravessar um corredor apinhado.

Desceu as escadarias apressada, procurando-o. Precisava comemorar com ele. Aquela vitória era deles. Antes que pisasse o último degrau, ela viu o Homem Sem Tempo parado à porta, em meio à multidão.

Correu em sua direção. Seus olhos se encontraram, sorriram um para o outro e quando já estavam bem próximos, ela atirou-se em seus braços. Ele a ergueu no ar, rodopiando-a, como se estivesse com uma criança.

Sorriam, tamanha a felicidade. Quando ele começou a abaixar os braços para colocá-la no chão, seus rostos se aproximaram muito. Ela pôde sentir seu cheiro, seu hálito. Num ímpeto, segurou-lhe o rosto com as duas mãos, aproximou-se mais e beijou-o de leve nos lábios .

Ele colocou-a no chão, e quando ela fez menção de se afastar, puxou-a para si, colando seus corpos. Antes que a Mulher Só pudesse dizer qualquer coisa, o Homem Sem Tempo beijou-a longa e intensamente.

Naquele momento, todas as vozes se calaram, todas as pessoas desapareceram e ela esqueceu do mundo à sua volta. Sentia-se flutuando, suas pernas quase não a sustentavam, enquanto seus braços enlaçavam o pescoço dele, como se nunca mais fosse sair dali.

De repente ouviu um barulho insistente, e acordou sozinha em seu quarto frio e escuro.

Quis chorar, mas riu de si mesma e da própria desventura.

Como desejara que tivesse sido real...


To be Continued

8 de mai de 2010

Só as Mães São Felizes

Depois de uma semana estressante, angustiante e tensa, finalmente encontrei tempo pra postar aqui uma homenagem às mães (e jogar um pouco de confete pra cima, porque, modéstia à parte, eu também sou uma mãezona).

Como acalantei esse sonho durante muito tempo, a maternidade se configurou num divisor de águas. Após o nascimento de meu filho, me tornei mais tolerante, mais disposta, mais sensível, menos egoísta, e muito, mas muito mais feliz.
Ser mãe também me deixou mais forte e apaixonada por coisas simples e prosaicas, como desempenhar o papel de mãe no dia a dia do meu pequeno.
Cuidar de meu filho é uma terapia. Após um dia exaustivo eu chego em casa à noite, cansada do trabalho, estressada com o trânsito, preocupada com as contas a pagar, então aquela pessoinha corre na minha direção e me dá aquele abraço. Me sinto a mais feliz das criaturas, agraciada por Deus.
Nenhuma manifestação de amor pode ser maior e mais verdadeira do que essa.
Fica registrado aqui a minha homenagem e um grande beijo para minha mãe, minhas avós e tias. Além das minhas amigas, jovens mães, que como eu, têm jornada dupla, ou tripla e são grandes mães. Também às mães de meu queridos amigos, pessoas totalmente do bem que não o seriam, se não tivessem suas poderosas matronas.

Essa foi a frase mais bonita que li essa semana, sobre o Dia das Mães:
“Mãe é o começo de tudo, é o amanhecer do viver de cada um.”

Como eu sempre digo: Vida de mãe não é fácil. Mas o amor de (e por) um filho alivia qualquer atribulação.

2 de mai de 2010

Sessão besteirol, ops! Horóscopo: Como cada Signo se suicida

A título de personalidade, não de previsões, acredito no zodíaco.
Confiram seu signo (e dos seus) depois me digam se faz sentido.


Violentos, impulsivos, esportivos, decididos, audaciosos e impacientes, gostam de mortes violentas: Ou se matam de uma moto em alta velocidade ou morrem pulando de para-quedas sem puxar a cordinha...




Tranquilos, comodistas, vaidosos, gulosos, teimosos, práticos e estáveis. Se matam com veneno na comida (efeito depois de duas horas) ou com muitos remédios para dormir...conforto até na morte...




Intelectuais, mentais, versáteis, inconstantes, curiosos, informados, interessados em tudo, comunicativos, expressivos e "TAGARELAS"(Deus, como falam...). Se matam cortando a língua, em um quarto escuro, sem internet, telefone ou qualquer meio de comunicação...morte triste...



Emotivos, instáveis, carentes, maternais, acolhedores, afetuosos e obsessivos. Se suicidam se enforcando e com um bilhete colado na mão dizendo: A culpa foi sua! Câncer adora culpar alguém...




Vaidosos, orgulhosos, geniosos, extrovertidos, calorosos, Dramáticos e Egocêntricos. Tomam um veneno na noite de Natal, 5 minutos antes da ceia, para causar impacto... Leão gosta de fins dramáticos e inesquecíveis!!!




Perfeccionistas, seletivos, críticos, ordeiros, detalhistas, meticulosos, práticos, simples. Não conseguem se suicidar...eles ficam tanto tempo, fazendo os detalhes, que quando viu, a vida já passou e ele morreu naturalmente....




Sofisticados, sociáveis, relativistas, ponderados, vaidosos, refinados e elegantes. Ficam super indecisos. Não sabem se ligam o gás e morrem, ou cortam os pulsos...por fim, decide: Contrata alguém para matá-lo com um tiro...




Intensos, profundos, sensuais, provocadores, radicais, investigadores, determinados, misteriosos, enigmáticos e vingativos. Faz amor com a pessoa odiada, fica com as impressões digitais, se mata com facadas e de luvas...morre, mas ferra quem odeia!



Aventureiros, desbravadores, destemidos, extrovertidos, otimistas, confiantes, exagerados, extravagantes. Toma 15 calmantes tarja preta e pula de Asa Delta...morre de modo esportista e aventureiro...


Sérios, maduros, responsáveis, controlados, tradicionais, confiáveis, econômicos, profissionais, exigentes, disciplinados, práticos, racionais e discretos. Tiro nas bolas! Mas antes,deixa todas as contas pagas,o testamento pronto vestido com um bom terno...capricórnio é responsável!


Independentes, livres, autênticos, ousados, futuristas, racionais, desapegados, indiferentes, surpreendentes, originais, irreverentes. Como é moderno, se mata no orkut, no twitter, no facebook e se muda para a Patagonia... Suicídio social,colega! Tendência...


Sensíveis, imaginativos, sutis, influenciáveis, sonhadores, indefiníveis, meio etéreos, místicos, introspectivos e emotivos. Sofrem da terrível ''síndrome da fuga'' para não sofrerem com a realidade, pois sempre sonham com um mundo perfeito. Bebe muito, sai pelado na rua e tenta ser atropelado...mas como é meio azarado, quebra as pernas e dá trabalho para família...eita signo!
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